FUNAAD - Manaíra - PB

Fundação Antônio Antas Diniz

Cultura, Educação, Ética, Fraternidade, História, Ação Social

 
Manaíra Indigena - TAPUIAS: Cariris e Coremas
RAÍZES
O Nome
A Lenda
O Romance
A Poesia

Coriolano

de Medeiros

Cariris
Coremas
Indios locais

 

Raízes indígenas

À época do desbravamento da Paraíba, a região designada de Sertão veio a ser chamada de Piancó pelos homens de cor branca. Mas antes desses, Piancó eram as terras, Piancó era o Rio, Piancó era o chefe dos chefes dos Coremas. Antes e quando da chegada dos colonizadores, era habitada pelos índios, principalmente os da tribo dos Coremas, genericamente chamados de Tapuia. Não há dúvidas de que os primeiros colonizadores que aqui chegaram não foram os primeiros habitantes.

Segundo o historiador Horácio de Almeida, os povos indígenas que habitavam o interior da Paraíba, seriam divisões (subgrupos) dos Cariris, um ramo da nação Tapuia. Aqueles que dominavam o planalto da Borborema, na bacia superior do Paraíba, acima de Taperoá, tinham o nome de Sucurus. No médio Paraíba ficavam os Bultrins, que foram aldeados em Campina Grande. Os Ariús, os Pegas, os Panatis e os Coremas ocupavam o sertão de além Borborema (a macrorregião do Piancó), com penetração pelo Rio Grande do Norte e parte do Ceará.

HISTÓRIA DOS CARIRIS

Os povos ameríndios teriam sido os primeiros colonizadores (no sentido de que se propagaram pelo território). Sua origem ainda não foi plenamente esclarecida, mas a opinião mais aceita é de que descenderiam de antigas raças asiáticas e da Oceania que teriam chegado à América pelo estreito de Behring ou pela navegação no Oceano Pacífico.

A princípio os portugueses acreditavam que os índios pertenciam ao mesmo grupo racial. Após algum tempo, percebeu-se que havia diferenças significativas: os grupos tupis possuíam uma organização social mais complexa e falavam uma mesma língua. Os tapuias habitavam o interior.

Hoje se diz que os índios do Brasil podiam ser divididos em quatro grandes grupos étnicos: os tupi-guaranis, os tapuias (ou jês), os nu-aruaques e os caraíbas.Todas estas nações indígenas, embora tivessem suas estruturas políticas distintas em relação às civilizações do México, da Bolívia e do Peru (que se constituíram em impérios) e, não opondo ao colonizador português a resistência que essas haviam oposto ao espanhol, deixaram como legado milhares de novas palavras ao vocabulário da língua portuguesa hoje falada no Brasil.

Os indígenas brasileiros são originários dessa migração e chegaram à Paraíba pelos rios Amazonas e Tocantins. Alguns prosseguiram a sua caminhada e só foram freados pelas águas caudais do Rio São Francisco, difíceis de serem transpostas, e então assenhorearam-se da vasta região que compreende este rio.

Os Tapuias ou Cariris chegaram ao sul do Ceará nos séculos IX e X, de onde se espalharam à região do Coremas em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, de onde pudesse retirar seu sustento.

Encontraram, no Sertão Paraibano, o ambiente propício às suas aspirações. Com suas fontes e riquezas naturais a região propiciou-lhes uma vida primitiva e equilibrada, de onde retiravam uma diversidade de alimentos como macaúba, babaçu, piqui e araçá, dentre outros da cultura indígena.

Cultivavam a mandioca, o milho e o algodão. A caça e a pesca, fartas nas matas e rios, faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias puderam viver em paz durante muito tempo. A vida na tribo era tranqüila. Suas residências eram construídas com palhas de palmeiras. Usavam utensílios artesanais, feitos com cabaças, cuias, coités, cipós, madeiras, e também fabricavam diversos utensílios domésticos com argila e pedras.

Dentre eles, destacam-se a rede, o pilão de socar, a arupemba, o abano, esteiras de palha de palmeira e artigos feitos em cerâmica como vasos, pratos e panelas onde podiam fazer seus cozidos provenientes da farinha de mandioca e do milho, produzidos em estilo rudimentar. O beiju, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscuz e muitas outras receitas nutritivas vieram dos nossos antepassados indígenas.

As exigências feitas aos povos que buscavam paz com os luso-brasileiros eram que tais povos mostrassem o desejo de se tornarem vassalos do rei, de se reduzirem “à santa fé católica”, bem como dispor de seus arcos na luta contra o gentio bravo que assolava os sertões. O documento mais representativo que temos desses termos é o chamado Assentamento das Pazes com os Janduís, datado de 10 de abril de 1692 (apud Puntoni, 2002: 300). Outros documentos que fazem menção a disposição dos índios de combaterem nas ditas guerras podem ser encontrados. A carta do capitão-mor do sertão de Piranhas, Cariris e Piancó, Teodósio de Oliveira Ledo, faz referência às pazes que fez o dito entradista com uma aldeia de índios da nação Corema, assim como seu engajamento em batalha logo depois:

(...) com o favor de Deus cheguei com tudo a salvo e em paz a este Arraial do Pau Ferrado (entre Piancó e Princesa Isabel) nos primeiros de abril e dali a nove dias de minha chegada me veio um aviso do meu gentio, que distante do arraial três léguas estavam em como com eles se haviam encontrado trinta ou quarenta tapuias brabos, que vinham em busca de paz e que em todo caso os socorresse pelo receio que tinham de que lhe sucedesse algum dano, o que fiz logo (...) eram de uma aldeia chamada Corema a pedir-me paz dizendo que queriam ser leais a El Rei meu Senhor; eu lhes concedi com ditame de procederem contra os nossos inimigos e com obrigação de conduzirem o seu mulherio para o arraial debaixo das armas;

aceitaram o partido (...) marchei com todo cuidado e o outro dia pelas cinco horas da tarde estando alojado no rio chamado Apodi, me vieram novas dos descobridores, tinham chegado a um rancho donde se havia levantado o inimigo àquela manhã (..) e ao romper do dia dei sobre ele, com toda a disposição possível tendo-me ele o encontro com valor, porém quis Deus que desse Vossa Senhoria o quanto de alcançar a vitória durando a peleja até às 9 horas do dia, e ela acabada se acharam da parte do inimigo trinta e dois mortos e setenta e duas presas e muita quantidade de feridos e da nossa parte não perigou nenhum e só me feriram seis homens; e das presas mandei matar muitas por serem incapazes (...) em uma quinta-feira venceu Vossa Senhoria duas batalhas, esta de presente referida e as pazes que aqui se confirmaram pelo inimizar com as mais nações ; e hoje não lhe ficam lugar a buscarem por amigos mais que aos brancos (...)

(Carta do capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo ao governador da Paraíba Manoel Soares de Albergaria, de 06 de agosto de 1698 (AHU_ACL_CU_014, Cx. 3, D. 226). PERGAMINHO – revista eletrônica de história – UFPB – ano 1 – n. zero – out. 2005.

ÍNDIOS COREMAS: PRIMEIROS HABITANTES DE MANAÍRA

Os Coremas são um grupo indígena originário do oeste da Paraíba, onde está situada a atual cidade de Coremas. Por tradição, conta-se que teve como chefe mais famoso o índio chamado Piancó (temor ou medo). Sendo que, o vale ocupado pela tribo, é até hoje chamado de Vale do Piancó

Historicamente, os primeiros habitantes do local onde se localiza atualmente a cidade de Coremas-PB (interior da Paraíba), foram os índios da tribo Coremas, pertencentes à grande nação Cariri (ou Kariri), que habitavam todo o interior paraibano.

Os índios Coremas ficaram famosos por serem bastante aguerridos e corajosos, entre as outras tribos, como no contato direto com o homem branco. Foram, juntamente com os índios Panatis, os últimos a manterem relações amigáveis com o mundo civilizado. Como eram amantes de suas terras e tradições, tornaram-se resistentes ao homem branco colonizador. Viviam em inúmeras aldeias separadas por distâncias variadas, praticando rudimentarmente a pesca, a caça e a agricultura de subsistência (frutos silvestres/raízes).

Tempos depois da pacificação entre índios e os brancos colonizadores, deu-se o processo de catequização, realizado por missionários católicos, pelo qual os índios eram tornados cristãos à força, adotando a religião católica. Começaram a usar os nomes aportuguesados e adotaram novos costumes, reduzindo na memória os tempos de brutalidades e selvagerias.

Foi no governo de Dom João Alencastro (1694-1702), da Bahia, que ocorreu a ordem para povoar e criar, em definitivo, as fazendas de gado na região do rio Piancó, autorizando, inclusive, se necessário, abater as populações indígenas locais.

Coube a ingrata tarefa ao capitão-mor Manoel de Araújo Carvalho, que segundo alguns historiadores, conseguiu realizar um acordo de paz entre os indígenas e os colonizadores, favorecendo o início do povoamento da região.

Finalmente, já no governo português de Dom José I (1750-1777), seu primeiro-ministro (Sebastião José de Carvalho e Melo - o Marquês de Pombal) nomeou o Juiz Dr. Miguel Pina de Caldeira Castelo Branco (residente em Olinda-PE). Este ficou famoso por algumas dezenas de medidas, dentre elas: aquela que autorizou as transferências de locais, tradicionalmente habitados pelos índios. Fizeram as mudanças de enormes contingentes populacionais (tribos inteiras) de uma região para outra, normalmente bem distantes dos locais de origens. Este fato contribuiu fortemente para o aniquilamento de inúmeras tribos, devido a doenças novas, fome, isolamento etc., dando-se a aculturação dos costumes e a eliminação pura e simples da presença indígena na formação das populações.

Os Coremas foram transferidos para regiões bem distantes do sertão, principalmente, para próximo do litoral, sendo Pilar – PB a cidade escolhida (onde moravam os índios Bultrins, também transferidos). Outra parte da tribo fixou-se no litoral do Rio Grande do Norte-RN; maldosamente trouxeram os índios do sertão e os fixaram à força, no brejo e litoral. Aqueles que não se sujeitaram, ou foram mortos ou fugiram pelos sertões adentro até terras da longínqua Amazônia. Este episódio explica porque os mais antigos habitantes do local, não chegaram a conhecer os verdadeiros índios Coremas.

O Alto de Ciana

Não faz muito tempo, na saída de Manaíra para Princesa, havia um morro com uma casinha de taipa, onde morava Ciana. De idade avançada, cabelos longos e lisos, pele morena e sem rugas, de pouca conversa, geralmente com um cachimbo na boca. A criançada tinha medo de aproximar-se e os mais idosos diziam: “É caboca braba”. Esse termo é designativo dos indígenas, mais especificamente para os mais selvagens, uma vez que era usual o termo “caboco manso” para os já catequizados. Mas, sem dúvida, não só pelos hábitos mais reservados mas, principalmente, por suas características físicas, era Ciana uma índia manairense.

História Pré-Colombiana

Os povos ameríndios teriam sido os primeiros colonizadores (no sentido de que se propagaram pelo território). Sua origem ainda não foi plenamente esclarecida, mas a opinião mais aceita é de que descenderiam de antigas raças asiáticas e da Oceania que teriam chegado à América pelo estreito de Behring ou pela navegação no Oceano Pacífico.

Os indígenas brasileiros são originários dessa migração e chegaram à Paraíba pelos rios Amazonas e Tocantins. Alguns prosseguiram a sua caminhada e só foram freados pelas águas caudais do Rio São Francisco, difíceis de serem transpostas e então assenhorearam-se da vasta região que compreende este rio.

Os Tapuias ou Cariris chegaram e ao sul do Ceará nos séculos IX e X, de onde se espalharam à região do Coremas em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, de onde pudesse retirar seu sustento.

Encontraram no Sertão Paraibano, o ambiente propício às suas aspirações. Com suas fontes e riquezas naturais a região propiciou-lhes uma vida primitiva e equilibrada, de onde retiravam uma diversidade de alimentos como macaúba, babaçu, piqui e araçá, dentre outros da cultura indígena.

Cultivavam a mandioca, o milho e o algodão. A caça e a pesca, fartas nas matas e rios, faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias puderam viver em paz durante muito tempo. A vida na tribo era tranqüila. Suas residências eram construídas com palhas de palmeiras. Usavam utensílios artesanais, feitos de com cabaças, cuias, coités, cipós, madeiras e também fabricavam diversos utensílios domésticos com argila e pedras.

Dentre eles, destacam-se a rede, o pilão de socar, a arupemba, o abano, esteiras de palha de palmeira e artigos feitos em cerâmica como vasos, pratos e panelas onde podiam fazer seus cozidos provenientes da farinha de mandioca e do milho, produzidos em estilo rudimentar. O beiju, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscuz e muitas outras receitas nutritivas vieram dos nossos antepassados indígenas.

A princípio os portugueses acreditavam que os índios pertenciam ao mesmo grupo racial. Após algum tempo, percebeu-se que havia diferenças significativas: os grupos tupis possuíam uma organização social mais complexa e falavam uma mesma língua. Os tapuias habitavam o interior.

Hoje se diz que os índios do Brasil podiam ser divididos em quatro grandes grupos étnicos: os tupi-guaranis, os tapuias (ou jês), os nu-aruaques e os caraíbas.

Todas estas nações indígenas, embora tivessem suas estruturas políticas distintas em relação às civilizações do México, da Bolívia e do Peru (que se constituíram em impérios) e, não opondo ao colonizador português a resistência que essas haviam oposto ao espanhol, deixaram como legado milhares de novas palavras ao vocabulário da língua portuguesa hoje falada no Brasil.


 

 

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